Fonte: Correio do Brasil
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Médicos e governo discordam sobre mudanças na Lei de Drogas
Fonte: Correio do Brasil
sábado, 10 de setembro de 2011
Exclusão e silêncio
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Maconha faz emagrecer?
Até as caixas de papel-gomado vendidas nas bancas de revistas sabem que fumar maconha aumenta o apetite. E se aumenta o apetite e há ingestão de comida sem queima de calorias, em tese, alguns gramas são ganhos.
Cerca de cinco anos atrás e sobre a economia canábica, escrevi um artigo na revista CartaCapital, me referi a um estudo feito em Londres. O estudo mencionava o consumo elevado de pizzas entre usuários que, com as namoradas, passavam os sábados em casa, a fazer uso canábico (fumacê, diriam os adolescentes) e a assistir filmes alugados. Lucravam as pizzarias, as locadoras e as fábricas de refrigerantes e cervejas.
Um estudo feito por pesquisadores franceses do Instituit National de la Santé et de la Recherche Médicale (Inserm) que acaba de ser publicado noAmerican Journal of Epidemiology, coloca em dúvida a tese de que maconha abre o apetite. Pela pesquisa, fumar maconha emagrece.
Para os pesquisadores, o porcentual de obesidade para quem fuma (dá um tapa, diriam os jovens) cigarro de maconha pelo menos três vezes por semana é mais baixo, 33%, em comparação com os não fumantes.
Os autores do estudo analisaram duas fontes de dados colhidos com cerca de 52 mil norte-americanos.
Com base na primeira fonte, descobriram que a obesidade atingia 22% daqueles que não fumavam maconha em contrapartida a 14% dos usuários habituais. A segunda fonte mostrou que 25% dos não fumantes eram obesos, isto com relação a 17% dos consumidores regulares.
Os pesquisadores alertaram que “qualquer que seja a explicação sobre a correlação ‘obesidade x consumo de maconha’ é improvável que a canabis possa substituir uma dieta eficaz”.
Fonte: Blog do Valter Maierovitch
Mais uma aplicação medicinal para a maconha
Estudo da UFSC engrossa lista de benefícios que substância presente na planta pode proporcionar à saúde humana. Experimentos mostram que composto é eficaz no tratamento de memórias traumáticas.
Plantação de ‘Cannabis sativa’. Pesquisa mostra que substância extraída da planta pode ser eficaz para tratar sequelas emocionais causadas por traumas.
Uma erva conhecida pela humanidade há mais de 4 mil anos e que tem uma série de aplicações medicinais comprovadas se mostrou promissora também no tratamento de sequelas emocionais causadas por traumas. O efeito é produzido pelo canabidiol, substância presente na maconha (Cannabis sativa) e que pode substituir vários medicamentos usados em tratamentos psicológicos, evitando seus efeitos colaterais.
O potencial de uso de C. sativa para a atenuação de traumas foi apontado recentemente pela equipe liderada pelo farmacologista Reinaldo Takahashi, no Laboratório de Psicofarmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os pesquisadores utilizaram um modelo experimental comum em estudos que trabalham com estresse pós-traumático, que consiste em provocar traumas em camundongos por meio de choques elétricos sutis nas patas.
“Além de não produzir melhora clínica em todos os pacientes, os medicamentos hoje disponíveis podem causar efeitos colaterais”
“Quando colocado novamente no ambiente em que levou o choque, mesmo vários dias após o trauma, o animal responde autonomamente com um estado de ‘congelamento’, ou seja, fica imóvel”, conta Takahashi. Em termos neurológicos, a resposta é a mesma apresentada por uma pessoa que, após ser assaltada ou sofrer um acidente de trânsito, sente medo ao passar pelo local onde enfrentou a situação traumática.
Para tratar esse tipo de transtorno, geralmente o paciente é exposto várias vezes ao mesmo ambiente e deixa de ter sintomas de ansiedade com a ajuda de antidepressivos. “Mas, além de não produzir melhora clínica em todos os pacientes, os medicamentos hoje disponíveis podem causar efeitos colaterais”, diz o pesquisador.
No laboratório da UFSC, o doutorando em farmacologia Rafael Bitencourt descobriu que, ao receber doses de canabidiol, animais com memória traumática tiveram os sintomas de ansiedade reduzidos graças à interação entre o sistema corticosteroide, importante na regulação do metabolismo, com o sistema endocanabinoide.
A produção, pelo cérebro, de substâncias endocanabinoides (que têm esse nome por se assemelhar a componentes da maconha, mas de origem endógena) é que facilitaria o processo de reaprendizado emocional. Takahashi explica ainda que o canabidiol não tem os efeitos colaterais dos medicamentos utilizados hoje no tratamento de traumas.
- Pesquisador faz teste de condicionamento com camundongo no Laboratório de Psicofarmacologia da UFSC. Animais com memória traumática tratados com doses de canabidiol tiveram os sintomas de ansiedade reduzidos (foto: Thiago Silva/ UFSC)
Segundo o pesquisador, desde a Antiguidade há relatos de usuários de maconha sobre os efeitos do canabidiol na extinção de memórias aversivas, o que direcionou algumas investigações farmacológicas.
“Em um congresso internacional recente ouvi relatos de veteranos de guerra norte-americanos sobre melhora no quadro de transtorno de estresse pós-traumático quando fumavam maconha”, conta. Mas ele ressalta que, como ex-combatentes podem usar várias drogas simultaneamente, não é possível dizer se o efeito é consequência direta de C. sativa.
Pesquisas com maconha
Estudos feitos em diversos países apontam que o canabidiol, que representa mais de 40% dos extratos de C. sativa, é eficaz no tratamento de depressão, esquizofrenia, epilepsia, transtorno bipolar e até leucemia e doenças neurodegenerativas, como mal de Alzheimer, além de ajudar a conter inflamações e controlar a pressão arterial.
O canabidiol é eficaz no tratamento de depressão, esquizofrenia, epilepsia, transtorno bipolar e até leucemia e doenças neurodegenerativas
Os efeitos psicoativos da maconha, que alteram temporariamente a percepção, o humor, o comportamento e a consciência de quem a consome, estão ligados sobretudo a outro canabinoide presente na erva: o tetraidrocanabinol (THC, na sigla em inglês).
Mas mesmo o THC apresenta efeitos de interesse medicinal. O Sativex, medicamento indicado no tratamento de esclerose múltipla, lançado em 2005 no Canadá, por exemplo, tem como princípio ativo uma combinação de THC e canabidiol. Outros dois medicamentos que utilizam o princípio ativo da maconha ajudam pacientes a conter náuseas e vômitos durante tratamentos quimioterápicos.
Na UFSC, além do efeito contra memórias traumáticas, Takahashi orienta estudos com o canabidiol que avaliam o potencial da substância no tratamento de dependência de morfina e na proteção do sistema nervoso em animais com doença de Parkinson.
Restrições
“Considerando que C. sativa tem cerca de 400 constituintes químicos e mais de 80 fitocanabinoides, é possível identificar outros compostos de interesse farmacológico”, diz o pesquisador. Mas ele ressalta que a dificuldade de trabalhar com substâncias psicotrópicas impede que pesquisas com outros compostos da maconha avancem no nosso país.
“As exigências para importar essas substâncias de países onde a produção é permitida são tão grandes, que muitos pesquisadores na área de drogas de abuso desistem de trabalhar com certos compostos”, diz Takahashi. “No caso do canabidiol, o aspecto crucial que permite sua importação é o fato de ele não ser considerado psicoativo.”
No Brasil, a lei 11.343, de 2006, proíbe “em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas”. Conforme a legislação, a União pode autorizar o cultivo de maconha “exclusivamente para fins medicinais ou científicos”, “em local e prazo predeterminados” e “mediante fiscalização”.
Célio Yano
Fonte: Ciência Hoje On-line/ PR
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Moção de repúdio às internações compulsórias–CNAS
Moção de Repúdio – Recolhimento e Internação Compulsória
O Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, em reunião plenária realizada no dia 17 de agosto de 2011, decidiu vir a público repudiar as ações de “RECOLHIMENTO E INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA” da população com trajetória de vida nas ruas, em especial de crianças e adolescentes usuárias de crack, fato que vem acontecendo principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, e que tem obtido grande visibilidade na mídia e na sociedade.
Estas ações caracterizam-se pela retirada das pessoas que se encontram em situação de rua, as quais, estando sob efeito de drogas, são encaminhadas para unidades de abrigamento, sem decisão pessoal das mesmas ou de suas famílias. A ação do Poder Público – especialmente das Secretarias Municipais de Assistência Social, que se utiliza da presença ostensiva e arbitrária da polícia – se sobrepõe à decisão e participação das famílias, as quais apenas são comunicadas sobre o lugar para onde as pessoas recolhidas foram levadas, muitas vezes, após ocorrido largo espaço de tempo entre a retirada da rua e o contato com as famílias.
Muito mais do que proteger as pessoas, estas ações podem agravar ainda mais a situação, ao utilizar-se de práticas punitivas e muitas vezes “higienistas” no enfrentamento de um problema tão complexo, numa postura segregadora, que nega o direito à cidadania, de total desrespeito aos direitos arduamente conquistados na Constituição Federal, contemplados no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, no Sistema Único da Saúde – SUS e no Sistema Único da Assistência Social – SUAS.
O “alvo” destas ações são, em sua maioria, crianças e adolescentes que se encontram em uma situação de extrema vulnerabilidade e risco pessoal e social, muitas vezes provocada pela falta de acesso aos direitos sociais básicos como educação, saúde e assistência social.
Este Conselho não poderia ficar em silêncio diante destes acontecimentos, tendo em vista sua história e sua luta pela consolidação dos direitos sociais e humanos, expressados no SUAS, sistema que defende a intersetorialidade entre as políticas públicas, assegurando atendimento digno a todos os cidadãos que necessitam da assistência social e das políticas públicas de forma ampla.
Sabemos que grande parte dessas pessoas, que se encontra em situação de rua, também são resultados de um processo histórico de exclusão social e de ausência do Estado. Atualmente, esta questão constitui-se em grave problema de saúde pública e não de polícia ou de coerção. Negamos a ação impositiva do estado e defendemos um atendimento digno, compartilhado intersetorialmente entre as diversas políticas que respondem pelo atendimento às pessoas usuárias de drogas, onde o Estado e as famílias possam se co-responsabilizar pela atenção e cuidado dessas pessoas afetadas pela vulnerabilidade das drogas e das ruas.
O trabalho intersetorial e em rede, desenvolvido no próprio território, com ações articuladas de promoção e de proteção, que envolvam equipamentos diversos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centro Psicosocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), os Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializado da Assistência Social para população em situação de rua (CREAS-POP), os projetos de redução de danos, a escola, o Programa Estratégia Saúde da Família, poderão garantir o acesso aos direitos sociais e à convivência familiar e comunitária às crianças e adolescentes.
Somente com este olhar poderemos avançar nas lutas democráticas e na construção de políticas públicas que atendam às necessidades de todos os cidadãos brasileiros.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A história do LSD na medicina e na vida hippie
Substância tão alucinógena como mítica, descoberta pelo químico suíço Albert Hofmann, o LSD é tema de um documentário realizado pelo cineasta Martin Witz e que estreou mundialmente no Festival de Cinema de Locarno.
Trata-se da história de uma substância que mudou a vida de milhares de outras pessoas.
"Não podemos fazer um filme como esse, sem saber do que se trata, interiormente também. Jovem adulto, nos anos 1980, eu experimentei-o várias vezes com bastante interesse. Nós fizemos isso com meu amigo na época, guiados por um psiquiatra."
Roteirista e produtor do "The Substance – Albert Hofmann’s LSD" (A Substância - o LSD de Albert Hofmann), um filme em concurso na categoria "Cineastas do presente", Martin Witz propõe uma odisseia da qual lhe impressiona o fato de ninguém ter convidado o espectador antes dele: o destino do psicotrópico alucinógeno descoberto quase ao acaso pelo químico suíço Albert Hofmann.
Esse "cientista teve a classe de aceitar que, na sua descoberta, as pessoas não compreendiam tudo", observa Martin Witz. "Hofmann era um espírito aberto, curioso, que tolerava o fato que não se pode explicar tudo, sem ser um esotérico limitado em todo caso. Esse tipo de espírito se tornou um pouco raro na nossa sociedade."
Witz começa da primeira "trip" de ácido experimentado por Hofmann, que o próprio químico, falecido em 2008, lembra-se no documentário. Ele mostra como a sociedade e as mídias, inicialmente, receberam de forma favorável esse novo instrumento para a pesquisa psiquiátrica.
Em Praga e nos Estados Unidos as experiências decorrem sem problemas, como mostram os arquivos. "Um miligrama e tudo muda", afirma um psicólogo. O LSD se torna um instrumento de descoberta da consciência e de tratamentos que, refinados, demonstram cada vez mais eficácia.
Com a Guerra Fria, os exércitos e os serviços de espionagem começam a fazer testes. Com resultados hilariantes sobre as tropas, incapazes de obedecer e mover-se em ordem, mas também com derrapagens próximas da tortura.
A pesquisa continua seu caminho e os artistas entram também na história. Eles são cada vez mais numerosos a querer ter esse "sentimento oceânico". Os "Merry Pranksters", os testes de ácido, o psicodelismo, a expulsão de Timothy Leary da Universidade de Harvard, que se torna um guru de uma revolução espiritual sob o ácido: Martin Witz exibe todas essas passagens. Ele o demonstra através de uma montagem minuciosa e transposições das "trips" em imagens.
"Fazer LSD puro é extremamente entediante", explica-lhe Nick Sand. Em retrospectiva, o químico de Leary confirma também: "Eu sou um criminoso? É claro que sou um criminoso". Em meado dos anos 1960, o governador da Califórnia, Ronald Reagan, proíbe o LSD, pavimentando o caminho a uma interdição que se tornará brevemente geral.
Nesse meio tempo, os hippies invadiram São Francisco, o chamado "Verão do amor" explodiria as convenções sociais, com a guitarra de Jimi Hendrix e seu quinhão de "bad trips" (más experiências de utilização da droga), cujas vítimas lotam os hospitais. O psicodelismo seduziu o planeta.
"Sim, houve abusos e eu nunca teria pensado que essa substância chegaria às ruas", declarava mais tarde Albert Hofmann, que permaneceu até o fim um defensor da legalização do LSD para a pesquisa.
A experiência extrema de Leary, que o presidente americano Richard Nixon considerou "o homem mais perigoso dos Estados Unidos", tirou sem dúvida o aval científico do LSD. É um psiquiatra que o diz no documentário. É preciso esperar trinta anos para que a pesquisa retorne timidamente, ligada ao câncer ou à depressão.
Ressurgimento do alucinógeno para tratar depressão
"Alguns falam de um renascimento dos alucinógenos no campo da psiquiatria, mesmo se o termo de renascimento me pareça abusivo", confirma Martin Witz. "Atualmente se realizam pesquisas na Suíça com o LSD e a psilocibina (substância presente em cogumelos usados na medicina tradicional asteca-nahuatl da Meso-América) e nos Estados Unidos somente com a psilocibina."
A utilização criativa não desapareceu completamente, segundo Martin Witz. "Todo mundo sabe que existe LSD nas ruas, mas consumido por um grupo muito particular da população. Penso que essa situação não irá mudar em curto prazo". Por sua vez, o cineasta não tomou mais a droga nos últimos vinte anos. Ele próprio relata que foi uma experiência para ser lembrada.
"Alguns dizem que o LSD mudou o mundo, alguns mesmo consideram que o mundo estaria melhor se o LSD pudesse existir livremente", continua Martin Witz. "Eu não estou seguro. Mas quando experimentamos um bom trip, nos sentimos ligados à natureza, à criação. Eu me sentia parte desse planeta e prestava atenção à minha vida e a dos outros. Parece romântico, mas é a realidade."
O cineasta ressalta que não fez um filme para defender a droga. Ele o justifica de uma forma simples: "O LSD foi experimentado por milhões de pessoas nos anos sessenta e setenta. É uma experiência coletiva e, portanto, parte da nossa história. Eu considerei que valia a pena contá-la no cinema."
Sete Pontos Acerca do Debate das Comunidades Terapêuticas
sábado, 20 de agosto de 2011
Drogas: tratar sem segregar
A inserção das pessoas que vivem a ausência de direitos nas redes do tráfico é consequência do abandono e da exclusão. A solução pede investimentos que criem possibilidades reais de inserção produtiva, com qualificação e formação profissional de qualidade, educação e cultura, fortalecimento dos vínculos sociais Pede saídas para a vida, e não mais o encarceramento.O compromisso ético-político da Psicologia é com a construção de uma sociedade capaz de ofertar a seus membros as condições para o exercício de uma vida digna e com horizontes.Tal sociedade produz mais escolas que cadeias, mais praças que espaços de segregação, mais cidadãos que restos sociais.
O laço entre o homem e a droga não é novo, nem são novas as propostas de solução que projetam na exclusão o remédio. Requentando um modelo antigo e autoritário, o da segregação, a sociedade e o Estado brasileiro desrespeitam sua melhor conquista: a aspiração à cidadania como direito para todos deste País.A segregação, ao contrário, pede sempre mais exclusão, autoriza a violência e a morte e destrói os laços sociais que, quando fortalecidos, são o sustento e apoio para a experimentação da vida. Múltiplos lugares de cuidado estão sendo criados por todo o país: os CAPS-ad, Consultórios de Rua, Casas de Acolhimento Transitório, Equipes de Saúde Mental na atenção básica, ampliando os modos de abordar e cuidar, sem ceder às fantasias de perigo e violência, nem tampouco crer na ausência de possibilidade, mas acreditando e articulando os diversos recursos, sempre, por uma mesma ética: a da liberdade e da inclusão.
O compromisso ético-político da Psicologia brasileira, parceira da Reforma Psiquiátrica, é com a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. Uma sociedade capaz de ofertar a seus membros as condições para o exercício de uma vida digna e com horizontes. Tal sociedade produz mais escolas que cadeias, mais praças que espaços de segregação, mais cidadãos que restos sociais.